08 de agosto de 2012 03:22

Mapeamento genético de espermatozoides

Por Michelson Borges

Depois de uma década de estudos, pela primeira vez, foi feito o sequenciamento de espermatozoides individuais. A façanha foi do professor Stephen Quake, da Universidade de Stanford, EUA, e envolveram quase cem espermatozoides de um indivíduo normal, com descendência normal, os quais tiveram seu código genético individual sequenciado e comparado com o código genético do doador. “Com esse sequenciamento de DNA, os cientistas puderam avaliar pela primeira vez de forma empírica os efeitos do processo de recombinação genética, que acontece quando a célula está em meiose”, explica matéria publicada no site Hypescience. E prossegue: “Na meiose, uma célula diploide, ou seja, com duas cópias de cada cromossomo, emparelha os cromossomos e ‘embaralha’ (recombina) suas partes, separando-as depois e gerando duas células haploides, ou seja, que têm apenas uma cópia de cada cromossomo. Nesse processo, são formados os espermatozoides, e a recombinação garante que cada espermatozoide terá genes dos dois avós da futura criança que poderá ser gerada.”

O fato é que, até então, a quantidade de recombinações não havia sido verificada. Havia apenas estimativas oriundas de processos estatísticos. Com o mapeamento do genoma dos espermatozoides, os cientistas chegaram pela primeira vez a um número médio de recombinações: 23, valor surpreendentemente próximo do estimado. “Só que, se na média, as recombinações são 23, em cada espermatozoide individual as coisas são mais complicadas. Na amostra sequenciada, foram encontrados até mesmo espermatozoides com cromossomos inteiros faltando, e isso em um indivíduo normal, saudável”, diz o Hypescience.

“Além das recombinações, os cientistas também fizeram outra descoberta notável: os espermatozoides tinham entre 25 e 36 mutações de nucleotídeos que não estavam presentes no código genético do doador. Tanto as recombinações quanto as mutações são importantes fontes de variação genética; a primeira é responsável por deixar os novos indivíduos com uma mistura mais ou menos equilibrada dos genes de seus avós, e a segunda por acrescentar novas variações ausentes no código genético original. Entretanto, as mutações, se acontecerem em certas áreas do genoma, podem ser potencialmente prejudiciais.”

Você notou que, seguindo o padrão das pesquisas em genética, essa aponta para mais complexidade? Além disso, isto também é interessante: “Tanto as recombinações quanto as mutações são importantes fontes de variação genética […] Entretanto, as mutações, se acontecerem em certas áreas do genoma, podem ser potencialmente prejudiciais.” Com tantos supostos milhões de anos de existência da humanidade e tantas recombinações e mutações nessa história, é de estranhar que ainda sejamos humanos. Deveríamos ter sido geneticamente “detonados” há muito tempo. Fica claro, também (e mais uma vez), que mutações promovem variação genética (na melhor das hipóteses), não “evolução”, ou acréscimo de informação complexa e “surgimento” de novos planos corporais, como teorizam os darwinistas. Na pior das hipóteses, mutações “podem ser potencialmente prejudiciais”. E estamos falando, ainda, apenas de espermatozoides. Pense no que vem a seguir, com a fecundação do óvulo: combinação de material genético distinto, múltiplas e rápidas divisões do óvulo e tremenda diferenciação celular (uma célula dá origem às mais diversas que compõem nosso corpo), e por aí vai. Tudo por acaso?

Michelson Borges

Leia também: Quando os espermatozoides ‘surgiram’?”

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