19 de abril de 2011 04:50

O olho treinado e as lentes da cosmovisão

Por Michelson Borges

No dia 13 de abril, foi veiculada a notícia de que cientistas haviam encontrado fósseis preservados de organismos que teriam vivido no fundo de lagos “há pelo menos um bilhão de anos” (segundo a tremendamente antiga cronologia evolucionista), no Lago Torridon, na costa oeste da Escócia. Reportagem publicada no site do jornal Daily Mail informa que, segundo os especialistas, os fósseis “marcam um importante momento na evolução das espécies, quando bactérias simples tornaram-se conjuntos de células mais complexas, capazes de realizar fotossíntese e reprodução sexuada”. 

O professor Martin Brasier, da Universidade de Oxford, disse que os novos fósseis mostram que “o movimento em direção a complexas células começou muito antes do que se pensava”. Charles Wellman, da Universidade de Sheffield, salienta ainda que “o estudo aponta que a vida na terra nesse momento era mais abundante e complexa do que o previsto”. 

Quinze dias antes, outra notícia havia se espalhado na internet: gravuras rupestres de dinossauros com seres humanos encontradas na área de Kachina Bridge, em Utah, Estados Unidos, foram submetidas a uma análise de pesquisadores, que chegaram à conclusão de que elas são apenas “pintura manchada”. 

Os estudiosos analisaram quatro imagens do que “parecem ser dinossauros”. Não satisfeitos com o que viam a olho nu, usaram binóculos e lentes especiais e iluminação direta e indireta do sol. “O dinossauro 1, apelidado de Sinclair, realmente se parece com um dino, se visto por olhos comuns. Mas um olho treinado pode frequentemente enxergar o que um não treinado vê”, disse o paleontólogo Phil Senter, da Universidade Estadual Fayetteville, na Carolina do Norte. “Até nosso estudo, esta era a melhor gravura de dinossauros e a mais difícil de ser interpretada porque se parece muito com um dinossauro”, admitiu.

Segundo os estudiosos com “olhos treinados”, a imagem dos dinossauros é ilusão de ótica, semelhante aos rostos e animais vistos nas nuvens e nas formações rochosas da Lua (com a diferença de que as pinturas de Kachina Bridge foram feitas por humanos). 

Voltando à primeira notícia – a dos fósseis no fundo do lago escocês –, algumas considerações são necessárias: (1) Não existem “bactérias simples”; para elas existirem, é preciso que haja organelas especializadas, máquinas moleculares bastante complexas, membrana seletiva e informação genética. (2) Como essas “bactérias simples” se tornaram “conjuntos de células mais complexas”, capazes de realizar fotossíntese e reprodução sexuada? Como elas foram capazes de duplicar a informação genética com precisão? Complexidade pode se originar da (suposta) simplicidade? Isso é científico? Fotossíntese e reprodução sexuada são mecanismos ultracomplexos que exigem o “surgimento/evolução” de muitas funções específicas de complexidade irredutível e, no caso dos sexos, distintas e perfeitamente compatíveis. Como surgiram? Mutações simultâneas e diferentes em organismos diferentes numa mesma época e mesmo local? (3) A admissão de que o “movimento em direção a complexas células começou muito antes do que se pensava” cria problemas para a teoria da evolução, já que cada vez mais o tempo do “surgimento” da vida complexa vai recuando no passado (e essa constatação não é de hoje). Daqui a pouco, restará a pergunta: Haveria tempo suficiente para a evolução da vida nesse nível de complexidade? (4) O estudo aponta que “a vida na terra neste momento era mais abundante e complexa do que o previsto”. A surpresa é apenas dos darwinistas, já que os criacionistas postulam que a complexidade está presente neste planeta desde que a vida foi criada – e é exatamente isso o que se observa de alto a baixo na coluna geológica. 

E quanto aos dinossauros de Utah? Curiosamente, os desenhos de mãos, pessoas e outros animais encontrados no mesmo local não “mancharam”. Somente a imagem dos dinossauros ficou manchada e constitui ilusão de ótica… Mas quem sou eu para contestar os especialistas? Não tenho “olho treinado”.

E o que um “olho treinado” vê, quando contempla, por exemplo, um único dente fóssil? R.: uma criatura completa! O que um “olho treinado” vê, quando analisa camadas sedimentares plano-paralelas em grandes extensões e sem evidência de erosão entre elas? R.: bilhões de anos de sedimentação. O que um “olho treinado” vê, quando constata variações no tamanho do bico de aves da mesma espécie ou analisa bactérias que adquirem resistência a antibióticos, mas que continuam sendo bactérias? R.: a macroevolução de uma “célula primordial” até um ser humano! O que um “olho treinado” vê, quando se dá conta da tremenda quantidade de informação complexa e específica no DNA? R.: acaso cego. O que um “olho treinado” vê, quando observa tecidos moles e proteína identificável em fósseis de dinossauros? R.: milhões de anos de extinção, assim mesmo. O que um “olho treinado” vê, quando olha para o período Cambriano com sua “explosão” de vida complexa e se dá conta de que no Pré-cambriano não existem ancestrais evolutivos desses animais? R.: mistério. 

Na verdade, as pinturas em Kachina Bridge não são as únicas evidências dessa contemporaneidade entre humanos e dinossauros. No capítulo “O que aconteceu com os dinossauros”, do meu livro A História da Vida (em nova edição ampliada), abordo esse e outros temas relacionados aos dinos. Há muito mais por trás dessa história que alguns pesquisadores e a mídia acham que resolveram por meio de conclusões enviesadas. 

Enfim, essas duas notícias mostram que mesmo um “olho treinado” não está imune aos ditames da cosmovisão. E é essa cosmovisão que influencia poderosamente os pesquisadores, fazendo com que eles adotem dois pesos e duas medidas, adaptando as evidências ao modelo teórico, e não o contrário. 

Michelson Borges  [www.criacionismo.com.br]

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