05 de abril de 2011 02:08

Pesquisa contesta prova criacionista?

Por Michelson Borges

Conforme noticiou a Folha de S. Paulo, a área de Kachina Bridge, em Utah, Estados Unidos, era considerada uma “evidência da teoria criacionista de que a Terra foi criada em um único dia” [sic]. Dispostos a refutar essa “evidência”, pesquisadores analisaram as gravuras rupestres do local, que trazem dinossauros e seres humanos, e chegaram à conclusão de que a pintura dos dinos teria sido “manchada”.

“A mais importante implicação nesses achados é que o sítio criacionista com evidências da coexistência entre dinossauros e humanos nem mesmo existe”, disse em entrevista ao site LiveScience o paleontólogo Phil Senter, da Universidade Estadual Fayetteville, em Carolina do Norte. Segundo a Folha, os estudiosos analisaram em várias situações quatro imagens que parecem ser de dinossauros: sob o olhar puro e simples, passando por binóculos e lentes especiais, com iluminação direta e indireta do sol e na sombra. “O dinossauro 1, apelidado de Sinclair, realmente se parece com um dino se visto por olhos comuns. Mas um olho treinado pode frequentemente enxergar o que um não-treinado vê”, declarou Senter. “Até nosso estudo, esta era a melhor gravura de dinossauros e a mais difícil de ser argumentada e interpretada porque se parece muito com um dinossauro. O ‘melhor dinossauro’ agora está extinto”, completou.

Os pesquisadores comparam a imagem dos dinossauros a ilusões de óptica iguais aos rostos e animais que podem ser vistos nas nuvens e nas formações rochosas da Lua, mas parecem se esquecer do fato de que as pinturas de Kachina Bridge foram feitas por seres humanos.

Curiosamente, os desenhos de mãos, pessoas e outros animais encontrados no mesmo local não mancharam. Somente a imagem dos dinossauros ficou manchada e constitui ilusão de óptica… Mas quem sou eu para contestar os especialistas? Não tenho “olho treinado”.

E o que um “olho treinado” vê, quando contempla, por exemplo, um único dente fóssil? R.: uma criatura completa! O que um “olho treinado” vê, quando analisa camadas sedimentares plano-paralelas em grandes extensões e sem evidência de erosão entre elas? R.: bilhões de anos de sedimentação. O que um “olho treinado” vê, quando constata variações no tamanho do bico de aves da mesma espécie ou analisa bactérias que adquirem resistência a antibióticos, mas que continuam sendo bactérias? R.: a macroevolução de uma “célula primordial” até um ser humano! O que um “olho treinado” vê, quando se dá conta da tremenda quantidade de informação complexa e específica no DNA? R.: acaso cego. O que um “olho treinado” vê, quando observa tecidos moles e proteína identificável em fósseis de dinossauros? R.: milhões de anos de extinção, assim mesmo. O que um “olho treinado” vê, quando olha para o período Cambriano com sua “explosão” de vida complexa e se dá conta de que no pré-cambriano não existem ancestrais evolutivos desses animais? R.: mistério.

Agora me diga uma coisa: De que maneira pinturas de humanos com dinossauros provariam a “criação da Terra num único dia”? (Esqueceram-se de que foi em seis, mas deixemos pra lá…) Provaria apenas que humanos conviveram com dinossauros. Na verdade, essas pinturas não são as únicas evidências dessa contemporaneidade. No capítulo “O que aconteceu com os dinossauros”, do meu livro A História da Vida (www.cpb.com.br), abordo esse e outros temas relacionados aos dinos. Há muito mais por trás dessa história que alguns pesquisadores e a mídia acham que resolveram por meio de conclusões enviesadas.

Michelson Borges

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