29 de março de 2016 10:56

Crepe das Artes – Do desafio ao sucesso

Empreender não é uma profissão, é um estilo de vida

Por André Aquino

Um dos grandes desafios no atual cenário político econômico é empreender. Entrevistamos o Thiago Silva, do Crepe das Artes, que traz um novo conceito para a cidade de Pindamonhangaba (SP).

Como nasceu a ideia do Crepe das Artes?

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Desde 1936 somos proprietários do ponto onde hoje é o CREPE DAS ARTES. O local já foi padaria do meu bisavô e do meu avô e tem muita história. Três anos atrás apareceu um comprador para o imóvel (que estava fechado há sete anos). Meu irmão caçula, médico, veio à cidade para fechar a venda. Depois de 18 anos sem voltar à Pindamonhangaba (Pinda) – onde nasceu e cresceu – ele ficou impressionado com o movimento no centro da cidade e decidiu não mais vender o imóvel. Ele falou: “Pinda está bombando! Temos um bom ponto comercial no centro da cidade…. Vamos montar algo aqui?”. Uma semana depois estávamos a caminho de Pinda para ver o que fazer e paramos para visitar meu pai (o Chef José Roberto) que atualmente mora em Tremembé. Dessa visita nasceu a ideia de abrir uma creperia. Começamos então a fazer os primeiros estudos de viabilidade para a reforma e ao mesmo tempo construir uma proposta de valor, bem como os pilares da marca do nosso negócio. Após 17 meses de reforma e muito planejamento, inauguramos o CREPE DAS ARTES no dia 22 de agosto de 2015 e no dia 25 abrimos nossas portas para o público.

Além de ter o Crepe das Artes, você possui uma outra empresa estabelecida no mercado. Como é o desafio de administrar dois negócios?

Desde 2007, quando resolvi largar meu emprego em uma grande consultoria de branding e mergulhar no mundo do empreendedorismo, tenho participado simultaneamente de mais de um negócio. Vida de empreendedor é assim… Nunca nos contentamos em fazer apenas uma coisa. Risos… Atualmente sou sócio do CREPE DAS ARTES e da iDEAGE, empresa que foca Modelos e Modelagens de Negócio, Conteúdo e Plataformas, Métricas e Indicadores, tudo isso baseado nos conceitos de Branding, Transmedia Storytelling, Cultura de Fãs e Tecnologia.

Sou apaixonado pelo que faço e movido por desafios. Acredito que essas são características comuns entre os empreendedores. Essa paixão me “auto motiva” e de certa forma me alimenta. Quando estou envolvido com algum dos meus negócios perco o sono, a fome e 100% da minha atenção e foco são para resolver os desafios, estruturando as coisas em que acredito.

Administrar os meus negócios é o que me faz acordar feliz todos os dias para desbravar o oceano de oportunidades que temos a nossa disposição – sim, eu acredito que onde há crise e problemas, também há MUITA OPORTUNIDADE.

Quais os principais desafios você encontrou ao empreender, principalmente ao criar um produto que não é hábito do consumidor?

Sempre fui muito curioso e essa característica me ajudou a empreender. Quando se empreende, você precisa entender várias coisas que não são ensinadas e muitas vezes não indica onde buscar apoio. A solução dos desafios está (sempre) em você mesmo, o único que pode criar e solucionar os problemas. No meu caso, o maior desafio foi superar os primeiros meses de home office. Quando a sua casa é o seu local de trabalho e o seu quarto é o escritório muita coisa muda na dinâmica familiar. O começo da minha vida de empreendedor exigiu muito da minha família.

Quando pedi demissão do meu último emprego formal, já era casado e pai de dois filhos. Na época, uma com dois anos e outro com um ano e eu já tinha 34 anos. Não foi fácil para minha esposa me ver todo o tempo em casa, mergulhado no computador. Demorou alguns meses até ela compreender que aquilo era o meu novo trabalho. Até pouco tempo atrás, meus filhos não entendiam o que eu fazia; hoje isso ficou mais fácil e eles falam: “Meu pai é dono de uma creperia!” E simplesmente ignoram todas as outras coisas que eu faço… risos…
Antes, não havia uma creperia na região. Todavia, criar um produto que não é hábito do consumidor, ou seja, colocar uma ideia nova no mercado é o que tenho feito há mais de 15 anos nos projetos que desenvolvo ou participo. É interessante como esse é um aspecto muito presente na minha trajetória. Esse é o tipo do trabalho que gosto de fazer. Quando pensamos em algo novo, abrimos um oceano de possibilidades. No meu entendimento, os modelos de negócio em gastronomia têm muito campo para o novo, ou seja, para a inovação.

Quais os principais diferenciais do seu negócio?

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O nosso modelo de negócio é todo baseado em conceitos, em experiências e na construção de relação com clientes. Esse é o nosso diferencial. Eu falo para todos no CREPE DAS ARTES que não somos apenas mais um restaurante ou creperia; somos um time para criar valor e satisfação para os clientes.

Para nós, a Boa Comida é uma forma de expressão e de arte, que estimula os sentidos a gerar prazer. Desse modo, a comida deve ser apreciada e não simplesmente ingerida com avidez. Por isso, nos propomos a possibilitar que a “Arte da Boa Comida” seja apreciada na forma de Crepes. Valorizamos o amor pelos ingredientes, o carinho e cuidado no preparo, o fato de sermos apaixonados e determinados. Somos gentis com quem interagimos e cultivamos o espírito positivo e familiar. Vivemos uma época em que o tempo disponível para fazer as coisas é cada vez mais escasso. As pausas para alimentação e reposição de energia passam a ter um significado maior. Nós compreendemos isso e procuramos ser uma opção interessante para as pessoas que valorizam a importância dessa pausa e apreciam a Arte da Boa Comida.

Somos um local que une a experiência da alta gastronomia, com um atendimento diferenciado, um ambiente incrível, com preço justo. Tudo isso é combinado para que a Arte da Boa Comida seja apreciada.

O que você diria para quem quer empreender?

“A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos veem” (Arthur Schopenhauer).

Siga o seu sentir e tenha clareza da sua Visão de mundo. Com uma Visão bem definida, assuma uma Missão que possibilite transformar essa Visão em realidade e defina os Valores que você irá compartilhar com o público de interesse (stakeholders). Com esse tripé montado (Visão, Missão e Valores), use-o como base para guiar as suas decisões e inspirar as pessoas.

Empreender não é uma profissão, é um estilo de vida. Ser um empreendedor de sucesso, exige MUITO ESTUDO, MUITA ANÁLISE, MUITA DEDICAÇÃO, MUITAS NOITES EM CLARO, MUITA QUEIMA DE FOSFATO, MUITA PERSISTÊNCIA e “TRANSPIRAÇÃO” e é claro… um pouco de SORTE!

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