07 de setembro de 2011 10:21

Deseducação sexual – boneca inflável x sapo iludido

Por Débora Carvalho

No meu tempo de adolescente não se falava em sexo – o que já é lamentável – salvo em algumas aulas de educação sexual na escola. Nelas era ensinado como não engravidar nem contrair DSTs. E só.

Mas, hoje em dia, ao invés de não ter educação sexual, a garotada recebe deseducação sexual nos lugares mais impróprios, como nos vídeos pornográficos da internet, e nas novelas e filmes que assistem em família. Mesmo hoje, com tanta informação circulando, ninguém fica sabendo que uma energia sexual saudável é importante para a saúde do corpo, a autoestima, a beleza e a longevidade. Aliás, feliz o casal que realmente sabe o que é sexo gostoso, e tem energia para praticá-lo.

No geral, as mulheres até querem, mas não sabem como curtir de verdade. Tudo bem que às vezes o problema está com elas que ainda não aprenderam a se entregar – de verdade – ao marido. Aí caem no truque do prazer fingido, e isso é péssimo para ambos, pois ela pode começar a cobrar do esposo de outra forma, se irritando e criticando em situações que nada tem a ver com a cama.

Por outro lado, o marido – que antes parecia ter uma dúzia de mãos cheias de desejo, passa a concentrar tudo na etapa final, deixando a esposa frustrada. A pressa, a falta de cumplicidade, companheirismo e carinho transforma o que poderia ser puro amor em uma cena daquelas de filme pornô da pior qualidade. Com um agravante: mulher nenhuma sente o que as atrizes do gênero interpretam nesse tipo de filme. Sem conseguir dar prazer à esposa, o sujeito começa a achar que ela é “fria”. Mas é ele quem traz o freezer para sua própria cama.

E qual é a mulher que tem coragem de dizer ao marido, com todas as letras, que ela não tem vocação para atriz de filme pornô? Isso significaria, para a grande maioria dos homens, um tiro no ego. Descobrir que o príncipe virou sapo não é pra qualquer um. Tem que ser muito macho para reverter a situação.

O que é preciso para ter uma cama sempre quente? 

Segundo Chekes iLLa, diretora da Escola do Feminino no Brasil, é muito importante a correta escolha do parceiro, pois a mulher precisa de segurança – mesmo dentro do casamento. Para Chekes, a mulher precisa aprender a ser seletiva, reconhecer o bom parceiro e dele não ter medo, se entregar e ter confiança. “Se a mulher não souber escolher o parceiro adequado sempre estará em estado de alerta, esperando alguma traição ou abandono, e neste estado não pode haver sexo bom”, diz a especialista.

Alguns maridos não entendem essa necessidade feminina. Depois de alguns anos de casamento, não percebem que atitudes de sapo afetam a capacidade de entrega de suas esposas. Indiferença, grosseria gratuita por estresse que pode ser gerado no trabalho, falta de carinho e atenção como nos tempos de namoro ou primeiros meses depois da lua-de-mel, falta de educação na hora de assistir televisão…  Os sapos costumam enxergar só o resultado da baixa autoestima em que mergulham suas esposas: falta de um jantar especial, falta de visitas ao salão de beleza, falta de renovação da lingerie, falta da casa arrumadinha… saudade da voz doce, chatice das reclamações e indiretas fora de hora, aumento de peso. (Homens, acreditem: tudo isso é reflexo da sua demonstração de carinho).

Na cama do casal, os sentidos (audição, paladar, olfato, visão, tato) precisam estar abertos, presentes de corpo e alma, e não mergulhados nas suas preocupações ou sonhos particulares. Só que, em situações de estresse e insegurança, quando a mulher sente que passou a ser vista como uma “boneca inflável”, é exatamente isso que o esposo terá na cama, pois seu corpo estará sob os lençóis – mas o pensamento estará muito, muito longe.

Essa informação já é um grande diferencial, tanto para os homens como para as mulheres, já que nos tempos da minha avó as mulheres aprendiam a ter medo do sexo oposto, o que tornava a cama um local de sacrifício para a mulher, e um prazer medíocre para o homem.

Mas hoje não precisa ser assim. Vivemos em tempos de comunicação aberta, informação gratuita à disposição de todos. Resta decidir adquirir ter uma boa educação sexual, ou continuar aprendendo e fazendo tudo errado – o que pode colocar em cheque um casamento que poderia ser feliz.

Preparando-se para uma boa cama

Você pensa em sexo durante as refeições? Então comece a pensar. Na hora de comer, beber, falar, pensar, se mexer, é bom pensar em como isso pode afetar a vida sexual – e fazer as escolhas certas. E se você acha que o corpo está ok, não se iluda. Corra já para a academia. Academia comum mesmo. É que, para que o sexo seja bom, também é necessário um cuidado especial com todas as áreas da saúde. A Escola do Feminismo recomenda exercícios físicos para que o corpo esteja flexível e preparado para uma intensa noite de amor. A alimentação também deve ser adequada, saudável e nutritiva. Só assim o corpo será ligeiro e o aroma agradável.


Rituais de sedução

Segundo especialistas, o ato sexual, quando bem preparado, intencionado e com um parceiro compatível acende a chama desta energia vital, tornando a mulher (e o homem) mais radiante, bela, magnética e jovial.

A troca de energia sexual entre marido e mulher vai além do sexo em si. A sintonia pode ocorrer em uma simples conversa, compartilhando atividades, troca de olhares… toques de carinho, massagens…

Não é porque se está casado há mais de cinco anos que os rituais de paquera, encanto e sedução estão dispensados. Muito pelo contrário. Sem aquela adrenalina da paixão – que não dura a vida toda – esses rituais tornam-se mais necessários do que nunca. Para o casal é muito importante intimidade e confiança, mas ao mesmo tempo não deve haver uma rotina que acabe transformando o sexo em algo mecânico, e até chato. Também se recomenda um certo mistério e renovação contínua.

A mulher necessita ter admiração pelo seu parceiro, pois sem ela não há desejo. E como admirar alguém que a trata com grosseria ou que não toca em seu corpo com carinho? Ninguém gosta de se sentir uma boneca-inflável.

Para o homem é muito importante que a mulher o saiba receber, com paixão e ternura, sem competição, nem exigência.  Como ter ternura por uma mulher que só sabe reclamar e gritar? E ambos devem pensar no bem estar do outro, saindo do próprio egoísmo.

Segundo o terapeuta americano Wilhelm Reich, “energia sexual é a vida em sua melhor expressão, é fonte de beleza, juventude, vigor e longevidade.” Quando essa energia está em baixa, acaba se tornando uma pessoa apática, cansada, sem vigor, mal humorada, cheia de dores, desinteressada pela vida e desinteressante para o outro.

Ao contrário disso, sexo feito casualmente, sem intenção ou admiração pelo parceiro, pode se tornar mecânico e ser um desperdício de vitalidade, além, de perder a graça rapidamente.

Sexo bom não tem a ver com experiências com diferentes parceiros, nem de reproduzir o que se vê em vídeos explícitos. Trata-se de conhecer a si mesmo e ao outro, respeitar e somar as diferenças.

Casamento deveria ser sinônimo de sexo bom e seguro, e melhor a cada ano que passa – e não o contrário. Tem até uma campanha no exterior que fala sobre isso. Lembre-se sempre: “Faça amor, não faça pornô!”

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