26 de setembro de 2012 05:05

Silêncio ensurdecedor

Por Débora Carvalho

Nada pode ser mais ensurdecedor do que o silêncio quando a alma precisa de uma só palavra. Nada pode ser mais silencioso do que uma porção de palavras na hora errada.

Nada pode ser mais barulhento do que aquele olhar cheio de emoção, ternura, carinho, desejo. Nada pode ser mais eloquente do que o sorriso caloroso que põe fim à insegurança.

Nenhuma música tem tanta harmonia quanto o ritmo que toca o coração da pessoa que ganha o abraço que preenche aquele vazio no peito. Nenhuma partitura é tão perfeita quanto a melodia e o ritmo de um beijo na boca, cheio de paixão.

Nenhuma ausência é tão profunda quanto a demonstrada pelo toque de um tapa na cara. Nenhuma presença é tão forte quanto a da saudade.

Nenhum pensamento é tão consciente quanto o número de telefone digitado errado, sem perceber – justamente para aquela pessoa com quem não se quer mais falar. Nenhum nome é tão lembrado como aquele que se deseja esquecer que se conheceu um dia.

Nada é tão forte quanto a fraqueza. Nada é tão fraco quanto a força descontrolada.

Nada é tão certo quanto o que não foi planejado. Nada é tão incerto quanto um plano.

Nenhum querer é tão verdadeiro quanto o não querer. Nenhum desejo é tão indesejado quanto o querer querer.

Nenhum fracasso é tão vitorioso quanto o da inveja. Nenhuma vitória é tão fracassada quanto o fim de um romance.

Nenhum encontro é tão desencontrado quanto aquele amor sem explicação que não tem como acontecer. Nenhum desencontro é tão combinado quanto o telefone que toca bem na hora que você vai ligar para alguém, atende com raiva, e do outro lado da linha está justamente aquela pessoa pra quem você iria telefonar.

Depois de três décadas de vida, a gente aprende tudo isso. E lamenta não ter percebido antes. Ah, se o tempo voltasse! 

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