16 de agosto de 2012 03:37

Tadinho do morango

Por Débora Carvalho

Imagine comigo a cena:

Cesta de morangos enormes, vermelhos, lindos.

A pequena Lara, que acabou de completar 2 anos, maravilhada com os lindos morangos.

A mamãe convida: “Vamos fazer um suco de morango bem gostoso?” E coloca a filha sentada no batente da pia. A menina segura o copo do liquidificador enquanto a mãe lava os morangos, corta as folhas e joga, um por um, no liquidificador.

A menina fala que tá ajudando a mamãe.

Por fim, leite e açúcar. Copo sob o motor do equipamento… e pede ajuda para apertar o botão… vrum vrum….

Do nada, a criança começa a chorar, parecendo ter se machucado misteriosamente. E surpreende com a frase, e a mão estendida apontando para o liquidificador:

“Tadinho do molango! Tadinho…” com lágrimas correndo, a cara vermelha, veia da testa saltada, como quem levou uma martelada no dedo.

Como sair de uma saia justa dessa?

Ainda estou desesperada. Como pode a minha filha ter tanta empatia pelos morangos?

Preciso aprender a lidar com isso.

Outro dia, tive que mudar de canal onde passava  o filme “Sempre ao seu lado”, com Richard Gere. O cachorrinho da história, quando procurava um lugar para dormir na estação de trem, comoveu a pequena de um jeito que me assustou:

“Au au tá tiste! Tá tiste, auau, tá tiste!” E apoiou-se no meu ombro buscando consolo, e demonstrando uma tristeça em solidariedade ao animalzinho do filme. Depois disso, volta e meia ela me surpreende: “Lalala tá tiste!” E quando o problema é comigo, vem consolar: “Mamãe tá tiste? Num chola, vai salá!”

Como tenho o que aprender com as crianças! Estou tonta com tanta informação! 

Ah, quer saber se ela tomou o suco de morango?

Quando levei um copo pra ela, a resposta foi:

“Ah, não! Tadinho!!”  

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