25 de agosto de 2014 18:08

Confiança do Agronegócio cai mais de 10 pontos no 2º trimestre

Segundo levantamento, forte queda na confiança do setor foi maior entre as indústrias de insumos e alimentos

Por Edvaldo Júnior

A confiança do agronegócio piorou acentuadamente no segundo trimestre do ano. A principal influência para essa percepção é uma avaliação mais negativa, por parte dos empresários, com relação aos rumos da economia brasileira em geral. A conclusão é resultado do Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O estudo foi divulgado nesta segunda-feira (25/08).

“Esse resultado marca uma reversão importante de expectativas, o que pode determinar uma tendência para os próximos meses. A piora na avaliação da economia e a preocupação com os custos de produção são componentes fundamentais para explicar o resultado”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp.

Costa também explica que o resultado já era esperado, tanto pelo comportamento dos preços internacionais de parte das commodities agrícolas, influenciado pelos levantamentos que apontam safra recorde nos EUA, quanto pela impossibilidade do setor passar imune ao desempenho da economia brasileira como um todo.

Segundo o levantamento, a confiança do setor, incluindo os elos da cadeia produtiva antes (indústria de insumos), dentro (produção agropecuária) e depois da porteira da fazenda (indústria de alimentos), piorou para 91,8 pontos no segundo trimestre de 2014, uma queda de 10,9 pontos em comparação ao primeiro trimestre, quando a confiança do setor pairava sobre o patamar ligeiramente positivo, de 102,7 pontos.

A pesquisa da Fiesp e da OCB avalia a confiança do setor em uma escala de 0 a 200 pontos, sendo que uma leitura em torno dos 100 pontos indica neutralidade.

Entre as indústrias antes da porteira, o índice de confiança piorou 7,8 pontos, para 94,1 pontos, ante 101,9 pontos no primeiro trimestre do ano. Já as indústrias depois da porteira foram as que registraram a maior queda, com baixa de 19,8 pontos, marcando: 88,9 pontos.

“Outro ponto a se destacar é em relação à intensidade. A queda da confiança aconteceu mais forte nos segmentos da indústria do que no segmento dentro da porteira da fazenda propriamente dito. A expectativa que temos é que a piora nesse segmento possa ser mais intenso nos próximos levantamentos”, explicou Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro.

Segundo o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, o pessimismo aumenta em decorrência de fatores externos, como a economia do país, resultando em um cenário de incertezas. “Caso se concretize a perspectiva apontada especialmente pela indústria pós-porteira, devemos estar atentos aos efeitos para os demais elos da cadeia”.

Preocupação é maior entre produtores agrícolas em relação ao pecuário 

No segundo trimestre do ano, a confiança dos produtores agrícolas caiu seis pontos para 92,2 pontos, contra leitura anterior de 98,2 pontos. As preocupações com a economia, a reversão da expectativa em relação aos preços de venda e os custos de produção são os responsáveis pelo resultado negativo.

O produtor pecuário foi o único, entre todos os elos pesquisados, que apresentou uma pequena melhora na confiança, de 4,4 pontos, em relação à pesquisa anterior. O preço de venda do produto e a queda dos preços do milho, importante componente da ração animal, foram determinantes para o aumento do otimismo no momento da pesquisa.

Fonte: Fiesp

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