11 de julho de 2012 11:38

Juquinha teria recorrido a parlamentares em momento de crise

Ex-presidente da Valec pode ter buscado ajuda com Jos

Por Edvaldo Júnior

O ex-presidente da Valec José Francisco das Neves, o Juquinha, teria buscado ajuda do deputado federal Valdemar Costa Neto, do senador Vicentinho Alves (PR-TO) e do presidente do Senado, José Sarney, em decorrência da faxina promovida por Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes.  

Sarney é chamado inclusive de “chefão” em um dos diálogos.

A Polícia Federal divulgou através de relatório produzido na Operação Trem Pagador que a intenção de Juquinha era manter “sua influencia nessa empresa”, a Valec.

Na semana passada foi realizada a prisão de Juquinha, familiares e também de um sócio pela PF sob a suspeita de comprar imóveis para lavar dinheiro supostamente desviado da estatal. Ontem ele foi solto, pois venceu o prazo dado pela Justiça para a prisão temporária.

No dia 20 de outubro do ano passado, foi divulgada uma gravação onde Juquinha diz a um assessor da Valec ter recebido a informação de que não haveria mudanças no ministério, pois “estão com medo de afrontar o chefão”, apontado pela PF como Sarney.

Juquinha afirmou que “o povo não quer afrontar nosso amigo”.

Juquinha perguntou ao seu advogado Eli Dourado, no mesmo dia, se ele havia conversado com Sarney. Segundo o advogado, Sarney havia conversado duas vezes com o ministro.

O titular da pasta, por sua vez, teria falado com o “gabinete civil, com a Presidente da República”.

A PF fez constar no relatório que as autoridades com foro privilegiado não foram investigados, mas apenas citadas por terceiros ou mantiveram contatos com investigados.

Em vários diálogos, Juquinha afirma que, caso ele e seu grupo saíssem do comando do Ministério dos Transportes e da Valec, as obras nas ferrovias iriam parar. “Ninguém consegue o que nos fizemos”, disse o ex-presidente da Valec.

A assessoria de imprensa do presidente do Senado, José Sarney, disse que ele não foi procurado por interlocutores de Juquinha nem intercedeu para que o ex-presidente da Valec permanecesse no cargo.

E também, de acordo com o advogado de Juquinha, Eli Dourado, houve uma “espetacularização” na prisão do seu cliente, mas que ainda não teve tempo de analisar as gravações feitas pela PF.

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